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Ronaldo Cunha Lima lança nesta quarta-feira o livro 'Velas Enfunadas'

2010-12-15 11:21:30.0

De Homero a Camões, o mar e sua mitologia sempre serviram de inspiração para poetas ao longo dos séculos. Na vida de Ronaldo Cunha Lima, que lança nesta quarta-feira (15), em João Pessoa, o livro Velas Enfunadas – Poemas à Beira-Mar (Ideia, 2010), às 19h, no Solar do Conselheiro, o mar é uma inspiração que banha paragens antigas, como a sua infância de menino do Brejo. “Era ainda muito garoto quando vim estudar em João Pessoa e peguei o bonde para ir à praia de Tambaú ver o mar. Aquele era um espetáculo que me emocionava”, disse o poeta em entrevista ao JORNAL DA PARAÍBA, - como não podia deixar de ser - concedida à beira-mar, na casa em que veraneia na praia de Camboinha.

Com prefácio de José Nêumanne Pinto, sertanejo que capta com precisão poética o encantamento do pequeno guarabirense diante do “mundão de água que humilha a escassez da aguinha mijada das cacimbas da infância”, o livro reúne 71 poemas que têm o mar como cenário. Destes poemas, mais da metade são sonetos, em cuja métrica Ronaldo se mostra muito à vontade. “Minha praia é o soneto”, brinca o poeta, que se exercita entre quartetos e tercetos desde a adolescência: “Já se disse que o soneto é a carteira de identidade do poeta. Eu tirei a minha muito cedo, embora até hoje ache uma via difícil”.

Escritos em intervalos de mais de dez anos, alguns poemas que compõem Velas Enfunadas são testemunhos da passagem de Ronaldo por praias do Brasil e até de Cuba, onde esteve quando era governador da Paraíba. Varadêro, um paraíso caribenho de águas quentes, se une a Camboinha, Tambaú, Tabatinga, Cabo Branco e Copacabana como “musas difusas e profusas” do poeta, que rascunhou este livro ao pé da rede: “Costumava alugar casas em lugares diferentes para veranear. Acordava, então, pela manhã, fazia um passeio pela praia e escrevia estes poemas na varanda, no embalo da rede”.

Sonetando Drummond - Leituras também não lhe faltaram nessas temporadas contemplando as ninfas marítimas. “Sempre recebo muitos livros de presente, e muitos livros também para prefaciar”, conta. “Mas sempre gosto de voltar aos meus poetas prediletos, como Augusto dos Anjos”. Foi numa dessas visitas aos seus versos preferidos que Ronaldo Cunha Lima chegou a um poeta de Minas Gerais, estado que até hoje guarda os restos mortais do filho do carbono e do amoníaco. O mineiro Carlos Drummond de Andrade não apenas fez companhia ao leitor como também deu ao autor a ideia de um novo livro, que já está escrito e será lançado no próximo ano: Sonetando Drummond. Nele, Ronaldo Cunha Lima rearranja em sonetos, versos consagrados como os de “No meio do caminho”.

Se ele se sentiu intimidado em intervir na obra de um dos grandes mestres da língua portuguesa? “Já começo o livro falando do meu medo em mexer em Drummond, que tem versos fechados, que se bastam”, afirma.

Também para o próximo ano estão programados os lançamentos de sua biografia, de um livro com seus “causos” e de um álbum com imagens e poemas.

A biografia, que será publicada em março de 2011 com o título provisório de A Trajetória de um Vencedor, é uma retrospectiva de sua carreira política sob a ótica do historiador José Octávio. Ronaldo Espirituoso, seu livro de “causos”, é uma parceria com Nivaldo Magalhães, poeta da cidade de Esperança que compilou histórias inusitadas narradas em seus encontros. Já o álbum, é fruto de uma colaboração com o fotógrafo Cácio Murilo, que traduziu em imagens o que Ronaldo procurou expressar em versos.

Repousando à beira-mar, deixamos o poeta prestes a içar velas para novas expedições literárias. “2011 será um ano muito produtivo”, diz o navegante, mirando o futuro com seu astrolábio.

Jornal da Paraíba


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