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23 de May de 2013


Movimentos sociais paraguaios divergem sobre oposição a Franco

23/06/2012 | 15h29min

Movimentos sociais e políticos contrários ao impeachment de Fernando Lugo preferiram deixar as ruas --ao menos na manhã deste sábado-- para se reunir na sede da Central Nacional dos Trabalhadores, no centro de Assunção, e definir metas para a oposição ao novo governo, liderado por Federico Franco.

Sob a liderança da Frente Guasú, que concentra cerca de 20 partidos de esquerda e centro-esquerda, a discussão principal era como garantir uma "mobilização pacífica ativa" contra o governo de Federico Franco.

Os grupos, que reuniam forças jovens, campesinos e movimentos de esquerda paraguaios, preparavam um documento no qual instituem que Lugo "continua sendo o presidente legítimo" e que não aceitarão nenhuma negociação com a participação de Franco.

Na primeira reunião de coordenação, no entanto, já surgiram discordâncias.

Atanásio Galeano, secretário-geral da Força de Integração Popular, organização alternativa à Frente Guasú, deixou a sala após discordar das propostas apresentadas por colegas de oposição.

"Nós somos da esquerda revolucionária, e estes que estão aí nada mais são do que uma centro-esquerda, que não quer agir. Este governo é inconstitucional e temos que fazer uma ocupação massiva, bloquear estradas", disse à Folha.

Galeano não se intimida com a possibilidade de que a mobilização popular no campo e nas cidades resulte em mais mortes, como as que ocorreram em Curuguaty, na última semana. "Seja como for, isto [violência] vai ocorrer."

RESISTÊNCIA PACÍFICA

Para o membro do Parlamento do Mercosul Ricardo Canese, que coordenava os debates nesta manhã, esta é a hora de resistir, mas sem violência.

"O povo tem todo o direito de se manifestar contra esse golpe de Estado parlamentar e à instalação de uma ditadura de extrema direita. Mas vamos fazer isso de uma forma pacífica", disse.

Canese, contudo, diz que o movimento apoiará a ocupação de terras por campesinos, origem dos principais conflitos recentes no país.

"Há oito milhões de hectares de terras públicas ocupadas por invasores. E o movimento campesino deve lutar por elas."

Danilo Bandeira/Editoria de arte/Folhapress

IG