Logo PARAÍBA.com.br

19 de May de 2013


Chanceler paraguaio critica suspensão do Mercosul sem 'defesa'

25/06/2012 | 11h33min

O novo chanceler do Paraguai, José Félix Fernández Estigarribia, criticou nesta segunda-feira a decisão do Mercosul de suspender o país da próxima cúpula do bloco, em Mendonza (Argentina) sem dar a oportunidade de "defesa" ao governo de Federico Franco.


"É curioso que países que nos questionam a brevidade dos prazos do julgamento [político de Lugo] agora nos acionam sem nos dar o direito a defesa", disse, referindo-se à principal crítica de Brasil, Argentina e Uruguai de que não foi dado ao ex-presidente o tempo necessário para se defender.

Segundo Estigarribia, a decisão do Mercosul não será aceita por seu governo, pois vai contra o Protocolo de Ushuaia 1.

"Não se pode aplicar qualquer tipo de sanção sem que sejamos escutados", disse, ao fim da cerimônia de posse de dez ministros no Palácio do Governo.

Ele ainda destacou a importância da relação com o Brasil, mesmo com a postura dura adotada pelo governo Dilma.

"Não qualifico uma atitude. Sigo trabalhando na construção da melhor relação possível. Temos muitos pontos de contato: Itaipu, os brasileiros que vivem do lado paraguaio."

ENTENDA

O ex-bispo foi destituído do poder na sexta-feira passada em um processo parlamentar por "mau desempenho de suas funções".

A rapidez do julgamento político --cerca de 30 horas entre a abertura do processo e a destituição-- mereceu críticas dos países vizinhos, que encetam esforços para isolar politicamente o Paraguai.

Países da região, como Argentina, Equador, Venezuela, Chile e Bolívia chamaram seus embaixadores de volta e se recusam a reconhecer o governo interino de Federico Franco.

O Brasil, junto com outros países da América Sul, já decidiram pela suspensão do país, um dos pobres do continente, da Unasul e do Mercosul.

Movimentos sociais também começaram a organizar as primeiras manifestações contra a queda de Lugo, enquanto o novo governo dá os primeiros passos para reestabelecer o Executivo e refazer "as pontes" com os vizinhos.

Franco diz que a transição foi feita dentro dos marcos constitucionais do país e, ontem, fez um apelo para que as nações vizinhas não castiguem "6,2 milhões de pessoas" (a população estimada do Paraguai).

Folha Online