O governo paraguaio retirou seu embaixador da Venezuela nesta quarta-feira e declarou persona non grata o representante venezuelano em Assunção. O Ministério de Relações Exteriores expressou, por meio de um comunicado, que diante das graves evidências de intervenção por parte de funcionários da Venezuela em assuntos internos do país, o governo paraguaio decidiu retirar seu embaixador.
Como o embaixador venezuelano Arrúe De Pablo não se encontra atualmente no Paraguai, não é necessário fixar uma data para que ele deixe Assunção. A medida tem efeito imediato. O texto explica que, conforme previsto na Convenção de Viena sobre as relações diplomáticas, o país declarou De Pablo persona non grata.
Também nesta quarta-feira, a ministra da Defesa, María Liz García de Arnold, prestou depoimento sobre a suposta incitação do chanceler venezuelano, Nicolás Maduro, a chefes militares contra o governo de Federico Franco. Serão convocados os membros do então Gabinete Militar e o ex-secretário privado de Lugo, Miguel Rojas.
De acordo com um vídeo divulgado na terça-feira, o chanceler da Venezuela, Nicolás Maduro, esteve reunido com a cúpula das Forças Armadas do Paraguai horas antes da deposição do presidente Fernando Lugo, no dia 22. Militares e políticos paraguaios dizem que, nessa ocasião, Maduro teria pedido aos generais que não reconhecessem a destituição e continuassem a receber ordens de Lugo.
Venezuela retirou embaixador após destituição de Lugo
A gravação do circuito interno do palácio presidencial confirma que o ministro do governo de Hugo Chávez reuniu-se com os comandantes no ápice da crise paraguaia. O vídeo, porém, não prova que o ministro venezuelano tenha de fato incitado a desobediência entre os militares de Assunção.
Após a destituição do ex-presidente paraguaio Fernando Lugo, o líder venezuelano Hugo Chávez ordenou a retirada de seu embaixador em Assunção. Brasil, Argentina e Uruguai também convocaram seus diplomatas instalados na capital paraguaia.
No mesmo dia, o governo venezuelano havia anunciado que iria interromper o envio de petróleo ao Paraguai. Logo depois, no entanto, o titular de Petropar, Sergio Escobar, voltou atrás e informou que a petroleira estatal PDVSA não cortaria mais o envio de combustível ao Paraguai.
O Globo