Em meio a escândalos envolvendo o bicheiro Carlinhos Cachoeira e políticos brasileiros do século XXI, Giovanni Improtta - o empresário do jogo do bicho, criado na década de 70 por Aguinaldo Silva (“O Homem que Comprou o Rio”) e apresentado na novela global “Senhora do Destino” (2004) -, volta às telas na pele de José Wilker. “O Giovanni é uma comédia sobre o Rio. O grande protagonista é a cidade do Rio de Janeiro”, afirma ao UOL o ator que eternizou o bordão “felomenal”.
Com 50 anos de carreira, Wilker dirige seu primeiro filme ao lado da filha Mariana Vielmond, que assina o roteiro e diz que trabalhar ao lado do pai é “aprender com ele”. “A Mariana sempre tem uma boa solução para as complicações que inventamos”, elogia.
Formada em psicologia, a colaboradora da novela “Máscaras”, da Record, Vielmond abandonou o atendimento em clínicas, após perceber que estava totalmente envolvida com as artes. “Sempre gostei de estudar os relacionamentos, as atitudes humanas e trouxe isso para minha nova profissão, na construção dos personagens e situações. A psicologia e a produção de roteiros se completam”.
Obcecado pela ascensão e inclusão social, Giovanni Improtta contracena com a cúpula do jogo do bicho, que não por acaso, negocia com políticos a aprovação da lei de cassinos. Como a vida imita a arte, o fanfarão carioca perceberá que sua chegada ao poder terá alguns tropeços. Haverá uma armação para derrubá-lo e os traidores serão homens de sua confiança. “Dificilmente a elite convive com pessoas que aspiram chegar algum lugar. Rapidamente arrumam apelido, nos últimos tempos foi ‘emergente’. Ou seja, fique cada um no seu lugar”, explica o ator.
“Se as pessoas forem assistir ao filme na expectativa de reencontrarem a novela irão se decepcionar. O personagem vive em um mundo bem diferente do que foi visto em ‘Senhora do Destino’. É uma figura típica do Rio de Janeiro, do cara que quer ascender na vida, mas por sua maneira e origem, não consegue nem sair e nem chegar onde quer”, adianta Wilker.
UOL