Greve da Anvisa atrasa descarregamento de navios petroleiros e preço da gasolina sobe
10/08/2012 | 10h25min
A greve dos funcionários da Agência Nacional de Vigilância Sanitária
(Anvisa) já causou um atraso de 48h a 72h no descarregamento de quatro
navios no Porto de Cabedelo desde o último dia primeiro, conforme disse o
presidente da Companhia Docas da Paraíba, Wilbur Jámoce.
Entre
os navios que atrasaram, dois eram petroleiros. Para tentar minimizar os
impactos da greve na Paraíba, o gerente-geral de Portos, Aeroportos,
Fronteiras e Recintos Alfandegados da Anvisa, Paulo Biancardi Coury,
veio ontem a João Pessoa elaborar um plano de ação para o Estado.
Wilbur
Jácome explicou que, em média, chegam ao porto de Cabedelo seis navios
petroleiros. Segundo ele, o problema é que os proprietários de postos de
combustível da Paraíba não compram combustível suficiente para garantir
um estoque que dure mais de uma semana.
Contudo, o medo de
desabastecimento não pode ser considerado um motivo real para a elevação
do preço dos combustíveis, caso contrário seria apenas especulação.
Ainda assim, os gerentes de postos de combustíveis se defendem e afirmam
que, para evitar que o estoque acabe logo, aumentam os preços. Apesar
da alta registrada, alguns estabelecimentos mantiveram o preço normal do
litro da gasolina, que pode ser encontrada por R$ 2,33 e R$ 2,32.
Paulo
Coury admitiu que a greve afetou a rotina normal de liberação de cargas
na Paraíba e em todo País, mas disse que está passando por todos os
estados para buscar alternativas junto às agências estaduais para
minimizar os impactos da paralisação. “Os portos, entretanto, são áreas
de atuação estritamente da esfera federal. Por isso não podemos
trabalhar em parceria com os fiscais estaduais na liberação das cargas.
Mas esse trabalho não está sendo afetado estamos mantendo a rotina de
trabalhos no porto da Paraíba”, argumentou.
Ele disse que o
plano de ação irá contemplar os pontos mais sensíveis como a dos portos e
aeroportos e que irá traças ações em que os agentes estaduais serão
convocados para auxiliar o trabalho dos agentes federais. “A greve não
foi decretada ilegal. Vim representando o diretor presidente da Anvisa
com objetivo de, mesmo em greve, manter as atividades essenciais”,
destacou.
Licença de importação
Na última
segunda-feira, a Anvisa publicou no Diário Oficial da União nova norma
que define em que casos será emitido o deferimento antecipado de
licenciamento de importação de bens e produtos sujeitos à vigilância
sanitária durante eventuais períodos de greve ou outro tipo de
procedimento que retarde o processo administrativo.
A partir de
agora bens e produtos que não tiverem seu pedido de licença de
importação analisados em até cinco das úteis a partir da data de
solicitação pelo importador, poderão obter o deferimento antecipado de
licenciamento de importação.
O deferimento antecipado também pode
ser requerido quando não houver capacidade de armazenamento de cargas
suficiente nos portos e aeroportos do país.
De acordo com a
RDC-43, os produtos e bens importados só poderão ser retirados e
transportados do porto ou aeroporto para o local de armazenamento
indicado pelo importador, após assinatura do Termo de Responsabilidade,
disponível no site da Anvisa.
As cargas que obtiverem o
deferimento antecipado deverem ser verificadas pela autoridade sanitária
no local de armazenamento indicado pelo importador.
O importador
que obtiver o deferimento antecipado assumirá a condição de depositário
fiel dos bens e produtos importados. O descumprimento das exigências
estabelecidas na Resolução resultará na responsabilização do importador
de acordo com as penalidades previstas na legislação vigente.
Suape recebe 99% dos contêineres
De
acordo com o presidente da Companhia Docas da Paraíba, Wilbur Jácome,
99% dos contêineres importados pela Paraíba são descarregados no Porto
de Suape, em Pernambuco. Ele esclareceu que a dependência ainda existe
porque o terminal portuário pernambucano está ligado nas principais
rotas internacionais. Além disso, Wilbur frisou que seriam necessários
investimentos na estrutura física e modernização do porto para conseguir
operar com o volume de contêineres demandados.
Ele lembrou que
os projetos para deixar o Porto de Cabedelo pronto para receber esse
volume de contêineres já está pronto. É o Terminal de Múltiplouso que,
entre outras ações, prevê o aprofundamento do calado e modernização dos
equipamentos de carga e descarga.
No Recife (PE), enquanto o
Porto de Suape opera normalmente, o clima nas obras de construção da
Refinaria de Abreu e Lima, em Suape, esquentou na última quarta-feira
por causa das disputas sindicais. A greve dos trabalhadores da obra
começou no último dia 1º porque a categoria não aceita o reajuste
salarial de 10,5% proposto pelo Sindicato dos Trabalhadores da
Construção Pesada (Sintepav).
Vários ônibus foram queimados e,
além disso, a greve foi considerada ilegal pelo Tribunal Regional do
Trabalho (TRT), que ordenou que os dias parados por conta da greve
fossem descontados. A polícia precisou atirar balas de borracha contra
os manifestantes. Ontem, o clima estava mais tranqüilo depois que
policiais do batalhão de choque foram até o local. Os trabalhadores
chegaram por volta das 4h30 par trabalhar.
Correio da Paraíba