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19 de May de 2013


No 1º dia reunidos, cardeais decidem preparar mensagem para Bento XVI

04/03/2013 | 18h42min

Os cardeais da Igreja Católica fizeram nesta segunda-feira (4), no Vaticano, as duas primeiras congregações gerais que precedem o início do conclave para eleger o novo Papa que vai suceder o agora Papa Emérito Bento XVI na liderança da instituição.

No primeiro dia reunidos, eles oraram, debateram e decidiram enviar uma mensagem a Bento XVI, que renunciou em 28 de fevereiro, após um pontificado de oito anos marcado por crises, criando uma situação praticamente inédita para a Igreja.

O primeiro encontro de cardeais durou cerca de três horas e meia, com meia hora de pausa de café, e teve a participação de 142 dos 207 cardeais, 103 deles votantes, segundo o porta-voz do Vaticano, padre Federico Lombardi.

O segundo, em que ocorreu uma das duas meditações obrigatórias no período, ocorreu à tarde.


A congregação matutina foi iniciada com uma oração breve e seguida por uma introdução técnica.

O decano do Colégio Cardinalício, Angelo Sodano, fez uma saudação e lembrou da importancia do evento. Ele também propôs que os cardeais preparem uma mensagem, a ser enviada ao Papa Emérito.

Depois, houve o juramento, feito em conjunto e depois individualmente, o que tomou algum tempo, conforme previsto na Constituição Apostólica.

Eles prometeram manter em segredo o conteúdo das reuniões, mas isso não os impede de falar aos jornalistas sobre "questões da Igreja', segundo Lombardi.

O momento mais importante da primeira reunião ocorreu entre as 11h45 e 12h30 locais, segundo o porta-voz, quando ocorreram discussões gerais. Treze cardeais falaram.

Eles discutiram se vai haver reuniões de manhã e à tarde nos próximos dias.

Conforme esperado, não houve decisão sobre a data do conclave. Segundo o padre Lombardi, alguns cardeais estão com mais pressa para decidir a sucessão no Trono de Pedro, e outros com menos.

O porta-voz Lombardi não confirmou a informação de que um "falso bispo" tenha tentado entrado na congregação. Em tom jocoso, ele disse que todos os cardeais que viu "eram verdadeiros".

A segunda congregação ocorreu às 17h (13h de Brasília).

Ela teve uma meditação espitual presidida pelo padre Raniero Cantalamessa, segundo o monsenhor Antônio Catelan Ferreira, secretario do cardeal Dom Raymundo Damasceno. Em seguida, houve uma palestra do cardeal Valini, vigário-geral da Dioecese de Roma.

Os cardeais saíram da segunda congregação sem falar, em um clima muito diferente do do final da primeira congregação. Também não houve entrevista coletiva no Vaticano depois dela.

Os 12 cardeais votantes que ainda não chegaram ao Vaticano devem chegar entre a tarde desta segunda e a manhã da terça, segundo o Vaticano.

A terceira congregação deve ocorrer na manhã desta terça, e a seguinte, na manhã de quarta. O período da tarde deve ser reservado à meditação, à reflexão e ao descanso.

Os cardeais italianos Giovanni Battista Re, Crescencio Sepe e o esloveno Franc Rode foram escolhidos para, por um prazo de três dias, auxiliarem o cardeal camerlengo Tarcisio Bertone nos trabalhos.

Expectativa
"Queremos estar cientes do que está acontecendo no Vaticano, no conjunto da organização central da Igreja, que passou por turbulências nos últimos tempos', declarou a alguns jornalistas o cardeal francês Philippe Barbarin, ao sair da congregação matutina.

"Se quisermos fazer boas decisões, estou certo de que devemos ter algumas informações relacionadas a isto", acrescentou o cardeal sul-africano Wilfrid Napier, sobre o escândalo do VatiLeaks, em que documentos vazados revelaram intrigas e brigas de poder na Cúria.

"É uma jornada espiritual de que temos que participar. Vamos trocar informações", disse o cardeal indiano Baselios Cleemis Thottunkal, de 53 anos, o mais novo do conclave, antes do início da congregação. "É a primeira vez que participo; não sei o que vai acontecer. Vamos decidir juntos e analisar juntos as questões que a Igreja tem de enfrentar, como a Igreja vai enfrentar."

Questionado sobre se acha se o próximo Papa tem de ser italiano, ele afirmou que "a Igreja não é um continente, de uma língua. Ela é universal".

O arcebispo de Paris, André Vingt-Trois, disse que não dá para antecipar as questões que serão discutidas no conclave.

"Tem tanta coisa que é preciso que ele [o novo Papa] seja capaz de fazer, além de ser poliglota, de ser um homem de fé e de rezar, de ser capaz de compreender civilizações diferentes, de diálogo, de escuta...", disse, ao ser questionado sobre o perfil do novo pontífice.

O cardeal André afirmou que "não é indispensável" que o próximo Papa seja jovem.

O francês também disse que o próximo Papa terá de tratar da questão do VatiLeaks, escândalo de vazamento de documentos sigilosos do Vaticano.


G1