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24 de July de 2014


Delegada 'gata'que inspirou a Helô de 'Salve Jorge' anda de pistola na cintura e detesta 'gente frouxa'

07/03/2013 | 18h27min

A Delegata Monique Vidal: "detesto gente frouxa" (Foto: Carlos Moraes / Ag. O Dia)

A Delegata Monique Vidal: "detesto gente frouxa" (Foto: Carlos Moraes / Ag. O Dia)

ELA É FOGO NA ROUPA

A delegada que inspirou a Helô da novela Salve Jorge cresceu nas areias de Ipanema, mochilou em Bali e se preparou para ser advogada, mas gosta mesmo é da vida de policial durona: “Detesto gente frouxa”

O celular de Monique Vidal, titular da delegacia de polícia do Catete, no centro do Rio de Janeiro, soou bem no meio do almoço. Do outro lado do aparelho ouvia-se uma aflita Gloria Perez, autora da novela Salve Jorge, com uma dúvida, digamos, de ordem técnica.

Queria saber como provocar a prisão imediata de um personagem por um motivo simples.

“Faça o sujeito quebrar um orelhão que ele fica preso se não pagar fiança”, orientou a delegada, que, ao desligar, comentou: “Mudei a novela!”. E deu uma sonora gargalhada que ecoou por todo o restaurante.

Com cabelos cobertos por tintura loiríssima, bijuterias que resplandecem a distância e uma inseparável pistola calibre 40 na cintura, a delegada Monique Vidal não é apenas a consultora da trama das 9 para assuntos policiais. Dela veio a inspiração para a personagem Helô, interpretada por Giovanna Antonelli, que ganhou até mesmo o apelido pelo qual Monique é conhecida no meio: Delegata.

A delegada Monique Vidal emprestou para Helô até seu apelido: Delegata (Foto: Ernani DA delegada Monique Vidal emprestou para Helô até seu apelido: Delegata (Foto: Ernani D'Almeida)


Aos 44 anos e com quinze de polícia, ela acabou de assumir o comando da delegacia antes chefiada por um colega que desancou via Twitter as mulheres com quem trabalhava — despropério que chamou a atenção até da imprensa internacional e custou a cabeça do delegado.

Como sempre faz, Monique Vidal entrou em cena batendo firme os saltos. Ela foi abrindo espaço em um ambiente tão predominantemente masculino à base de um currículo que alardeia a prisão de alguns dos maiores traficantes da Zona Sul carioca, área onde fez quase toda a carreira.

Em sua primeira missão, já imprimia o estilão destemido e direto à frente da delegacia da Barra da Tijuca: Monique saiu à rua para perseguir garotos de classe média alta que naquele tempo promoviam arruaças na noite do Rio, depredando boates e ferindo pessoas. Virou a “caçadora de pitboys”.

Em ação, aos oito meses de gravidez, quando caçava pitboys no Rio (Foto: Paulo Toscano)

Em ação, aos oito meses de gravidez, quando caçava pitboys no Rio e prendeu o lutador de jiu-jistu Ryan Gracie (Foto: Paulo Toscano)

Quando prendeu o mais eminente representante da turma, o lutador de jiu-jítsu Ryan Gracie, ostentava o barrigão de oito meses de gravidez de sua primeira filha, hoje com 15 anos, fruto de um romance com o então delegado e futuro chefe de polícia do Rio Álvaro Lins. “Fiquei com ele porque era o homem mais bonito da polícia”, resume, mas para por aí.

A relação entre os dois é um assunto tabu. Corre no meio policial que, em meio a um acesso de fúria, Monique teria arremessado contra Lins, um a um, todos os objetos que encontrou à sua frente. Nada ficou de pé no gabinete do já chefe de polícia. “Não comento isso”, diz ela.

Monique só se casou mesmo uma vez, com o lutador de vale-tudo Gustavo Ximu, a quem até hoje chama, entre amigos, de “my love”. Ficaram juntos oito anos e tiveram um filho, hoje com 7. Quem tomou a dianteira na paquera? “Ela. Eu estava na rua com amigos em comum e Monique veio falar comigo”, conta o lutador, para quem a ex-mulher é “amiga eterna”.

Em uma operação contra o tráfico (Foto: Pablo Jacob / Ag. Globo)

Em uma operação contra o tráfico (Foto: Pablo Jacob / Ag. Globo)

Hoje, “infelizmente”, ela está solteira, mas “aberta”. Às vezes, deixa a clausura da delegacia para badalar em rodas as mais ecléticas. Fica bem à vontade entre celebridades e políticos. No ano passado, Monique até se candidatou a vereadora pelo PSL (partido da base do prefeito Eduardo Paes). Não se elegeu, mas também não passou recibo.

“Gosto mesmo é de ser tira”, fala. Nascida e criada nas areias de Ipanema, Monique foi educada em bons colégios, passou dois anos mochilando no circuito Califórnia-Havaí-Bali e cursou direito em uma universidade particular antes de enveredar, meio por acaso, pela carreira de delegada. “Sempre gostei de filmes com policiais femininas como protagonistas. Minha ‘ídola’ era a Jill do seriado As Panteras”, lembra.

Um dia, em uma banca de jornal, viu o anúncio de um concurso para delegado e fez a prova. Só foi passar numa segunda tentativa.

Antes da estreia de Salve Jorge, a atriz Giovanna Antonelli fez uma imersão na delegacia de Monique. Além da própria Gloria Perez, uma de suas assessoras está sempre na linha com a delegada. O resultado na ficção guarda familiaridade com a vida real nas dependências do Catete. Como Monique, Helô tem uma equipe que a acompanha aonde for, cobre-se de enfeites vistosos e faz um bailado parecido com cabeça e cabelos (que ambas, coincidência do destino, tratam no mesmíssimo salão).

Também Helô já andou lançando objetos contra o ex-marido, com quem vive às turras. Mas Monique vê um abismo entre as duas. A delegada da novela bem que poderia ser um pouco mais esperta. “Sei que ali é ficção, mas às vezes ela é devagar demais para mim”, dispara a Delegata.

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