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Mulher investigada por morte oferece aumento de bumbum por R$ 3,9 mil

2014-10-30 18:07:00.0

A mulher que aplicou o hidrogel para aumentar o bumbum da ajudante de leilão Maria José Medrado de Souza Brandão, 39 anos, cobrava até R$ 3,9 mil para realizar o procedimento e prometia um "resultado imediato". A paciente morreu no último sábado (25), um dia após submeter-se à segunda aplicação do produto. O caso é investigado pela Polícia Civil.

A TV Anhanguera teve acesso a conversas, no aplicativo de celular Whatsapp (veja vídeo acima), em que a mulher, que se apresenta como biomédica e diz se chamar Raquel, aborda as clientes. Em um grupo fechado, ela oferece o seu trabalho. "Faço bioplastia de glúteo. Se alguém tiver interesse, me chame inbox". Uma participante demonstra interesse e pergunta o preço e o valor da aplicação.


Ao responder, Raquel informa que o procedimento é rápido e pode ser parcelado. "A aplicação dura 1 hora e o resultado é imediato. O preço é R$ 3,9 mil para dividir no cartão ou R$ 3,5 mil à vista".

Maria José conheceu o trabalho da suposta bimédica por meio de anúncios que a própria mulher colocava na internet. Ela fez uma aplicação, no início deste mês, mas não gostou do resultado e voltou para fazer novamente cerca de 15 dias, no último dia 24. No entanto, ela passou mal e chegou a ser internada na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital Jardim América, mas não resistiu e morreu com quadro suspeito de embolia pulmonar no dia seguinte.

Testemunhas
De acordo com a delegada Myrian Vidal, titular do 17º Distrito Policial de Goiânia e responsável pelo caso, quatro testemunhas foram ouvidas sobre a morte de Maria Jose, nesta quinta-feira (30), inclusive dois dos três filhos dela. "Eles disseram que ela era uma pessoa saudável e que gostava de fazer exercícios físicos, mas nada fora do normal", afirmou Myrian ao G1.

Segundo a delegado, a suspeita deve prestar depoimento na próxima segunda-feira (3). Segundo ela, faltam apenas esta oitiva e o laudo cadavérico para que ela possa concluir o inquérito.

Maria José Medrado de Souza Brandão aplicação de hidrogel para aumentar o bumbum em GoIânia, Goiás (Foto: Aracylleny Santos/ Arquivo Pessoal)Maria José morreu após aplicação de hidrogel
(Foto: Aracylleny Santos/ Arquivo Pessoal)

"Se ficar comprovado que a vítima morreu em decorrência do procedimento, a mulher responderá por homicídio culposo, quando não há a intenção de matar. Se não for provado, o que eu acho improvável, ela será autuada na contravenção penal por exercício irregular da profissão, pois o procedimento só pode ser realizado por médicos", explica.

A delegada também interrogou nesta quinta-feira o presidente do Conselho Regional de Biomedicina da 3ª Região (CRBm-3), Rony Marques de Castilho. O órgão é responsável pelos estados de Goiás, Tocantins, Mato Grosso, Minas Gerais, além do Distrito Federal. "Ele me disse que não consta nenhum registro no nome dela em nenhum dos conselhos que órgão abrange", disse a responsável pelo caso.

Em nota, o CRBm-3 informou ainda que, como o nome da mulher não consta na lista de profissionais, leva o conselho "a crer que não seja ela biomédica". Ao G1, a gerência do órgão disse que já solicitou às outras quatro regionais para saber se a mulher tem a formação, mas ainda não recebeu as respostas.

Clínica alugada
A quarta testemunha inquirida foi a esteticista Clênia Marques Rosendo, dona da clínica onde Maria José passou pelo procedimento. Ela disse que alugou uma sala do estabelecimento para a realização da aplicação, mas não sabia o que seria feito. A clínica foi interditada na terça-feira (28) por não possuir alvará sanitário. Além disso, o local também foi multado em R$ 2 mil.

“A minha amiga que me procurou e disse que ela [Raquel] estava procurando uma sala para fazer procedimentos estéticos. Como isso, já era uma prática comum aqui, ela já vinha atendendo em Goiânia por vários anos, nem me atentei para saber o que era o procedimento. Eu subloquei a sala para ela", ponderou.

Segundo a delegada, Clênia não deve, por ora, responder criminalmente, por não saber que tipo de procedimento seria realizado no local.

Maria José Brandão relata que fazer a aplicação no bumbum eram realizar um sonho, em Goiânia, Goiás (Foto: Aracylleny Santos/ Arquivo Pessoal)Maria José diz que aumentar bumbum era um
sonho (Foto: Aracylleny Santos/ Arquivo Pessoal)

'Sonho'
Em uma declaração feita em uma conversa com a suposta biomédica que a atendeu, Maria José disse que fazer o procedimento era “realizar um sonho”. As mensagens foram trocadas depois que a mulher tinha feito a primeira sessão e demonstrou estar insatisfeita com o resultado. “Te falei (sic) o sacrifício que fiz para arrumar essa grana, para realizar um sonho, e até agora, não tive resultado”.

Durante a conversa, Maria ainda relatou que a mudança no corpo dela não estava perceptível. “Ninguém que me viu notou alguma coisa. Fui à academia hoje, ninguém percebeu nada”, escreveu. A ajudante de leilão ressaltou, ainda, que tinha “vontade de exibir” a alteração nos glúteos.

A responsável pela aplicação a tranquilizou: “Não vai ficar desse jeito, pode ficar tranquila flor, não tira porque você vai se arrepender”. Dois dias depois do primeiro procedimento, Maria disse à profissional que já estava melhor e agradeceu a disponibilidade dela, mas que queria fazer a correção.

Ato exclusivo de médicos
Membro da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica e conselheiro do Conselho Regional de Medicina do Estado de Goiás (Cremego), Luiz Humberto Garcia de Souza explicou ao G1 que o procedimento invasivo no glúteo é delicado e só pode ser realizado por médicos devidamente qualificados.

De acordo com o especialista em cirurgia plástica, há uma grande possibilidade de a paciente ter tido embolia pulmonar em virtude da aplicação no glúteo. “Esse produto é um gel muito articulado, são partículas muito pequenas que têm facilidade de penetração vascular e que podem ser levadas em um volume massivo para a árvore venosa do pulmão, gerando um caso gravíssimo de embolia pulmonar”, conclui.

Diante do ocorrido, o Conselho Regional de Medicina do Estado de Goiás (Cremego) publicou uma resolução proibindo o trabalho médico em estabelecimentos como clínicas de estética e salões de beleza. A norma começou a vigorar na quarta-feira (29).

G1