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'Yes we did': A despedida de Barack Obama

2017-01-11 09:31:00.0

Barack Obama reconheceu, no seu último discurso, que apesar do caráter histórico da sua eleição como primeiro presidente afro-americano, o racismo continua vivo nos EUA e que há "mais trabalho a fazer" para eliminar os preconceitos contra minorias.

"Depois da minha eleição, falou-se muito de uns Estados Unidos pós-raciais. Essa visão, ainda que bem-intencionada, nunca foi realista. Porque a raça continua a ser uma força potente e frequentemente divisiva da nossa sociedade", disse Obama, no seu último discurso como presidente em Chicago.

Não esquecendo as polémicas em torno do seu sucessor, Obama alertou, na terça-feira à noite (madrugada de quarta-feira em Lisboa), que a democracia norte-americana enfrenta um duro teste, e apelou aos seus apoiantes que 'passem o testemunho' de modo a criar um novo "pacto social".

"A democracia requer uma noção básica de solidariedade. Apesar de todas as nossas diferenças, estamos todos juntos nisto. Vamos vencer ou falhar juntos. Todos nós, independentemente do partido, devemos entregarmo-nos à tarefa de reconstruir às nossas instituições democráticas", afirmou, adaptando o seu slogan de campanha "Yes we can" ("Sim, podemos) para "Yes we did" ("Sim, fizemos").

Barack Obama alertou ainda para o perigo de negar a existência das alterações climáticas, sublinhou a importância da influência do país no mundo e lembrou que os Estados Unidos não sofreram nenhum atentado do exterior em oito anos. O presidente norte-americano explicou que negar que o aquecimento global existe significa trair as próximas gerações. "Podemos e devemos discutir sobre a melhor abordagem para resolver o problema. Mas simplesmente negar o problema, não é apenas trair as gerações futuras, mas trair o espírito essencial deste país, o espírito essencial de inovação e capacidade de resolver problemas que guiou os nossos fundadores".

Olhando para o panorama internacional, Obama apelou a que os Estados Unidos se mantenham "vigilantes, mas não assustados", defendendo que as duas outras potências mundiais que lutam pela hegemonia global, a Rússia e a China, não a conseguirão, a não ser que o país mude drasticamente.

"Rivais como a Rússia ou a China não podem superar a nossa influência no mundo, a não ser que renunciemos ao que defendemos e nos convertamos noutro país grande que abusa dos seus vizinhos mais pequenos, disse, perante uma audiência de cerca de 20 mil pessoas.

Obama lembrou ainda que nenhuma organização terrorista estrangeira conseguiu realizar um atentado no país durante os seus oito anos na Casa Branca e assegurou que o grupo extremista Estado Islâmico "será destruído".

"Apesar de [os atentados de] Boston, Orlando ou San Bernardino nos lembrarem de quão perigosa pode ser a radicalização, os nossos agentes estão mais atentos e são mais eficientes que nunca", sublinhou.

Sem nunca mencionar diretamente Trump, o presidente reiterou o seu compromisso com uma transferência pacífica de poder: "Depende de todos nós assegurar que o nosso Governo nos pode ajudar a ultrapassar os muitos desafios que ainda enfrentamos".

Eleito em 2008, Obama defendeu que o seu país é hoje "um lugar melhor e mais forte" e atribuiu esses desenvolvimentos aos norte-americanos. "Vocês foram a mudança", afirmou.

Perante cerca de 20 mil pessoas que se juntaram no centro de convenções McCormick Place de Chicago -- algumas gritando repetidamente "Mais quatro anos" -- Obama agradeceu aos seus concidadãos por o terem feito um "melhor" presidente e um "melhor homem" nos últimos oito anos.

A menos de duas semanas da sua saída, Obama elogiou Joe Biden, que disse ter sido a sua primeira e melhor escolha para vice-presidente, e agradeceu à sua mulher Michelle e filhas, Malia e Sasha.

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