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Política

'O enredo da água e a crise existencial do Ministério Público', confira novo artigo de Adriana Bezerra

2018-01-18 10:26:00.0

O Ministério Público dá sinais de que enfrenta crise existencial.

O protagonismo e a onipresença na cena brasileira – especialmente a partir da década de 80 – fizeram os integrantes do MP se afeiçoar à ribalta.

E desse palco eles resistem a descer.

Mesmo quando (de power point em power point) o script encenado descamba, vexatoriamente, para a canastrice explícita.

O MP da Paraíba também demonstra que não é, de modo algum, insensível ao apelo midiático – custe o que custar, inclusive a credibilidade.

Exemplo?

Ano passado, procuradores aparentemente muito bem intencionados alimentaram na população da Borborema – pasmem – o medo de voltar a consumir água regularmente.

Pregaram o risco extremo da antecipação do fim do racionamento proposto pelo Governo do Estado.

O discurso foi usado, claro, à exaustão pelos adversários políticos do governador Ricardo Coutinho.

Disseminaram, entre outras lorotas, que os campinenses iriam consumir água contaminada. E que a alegria duraria pouco com conseqüências ainda mais duradouras.

O Boqueirão seria estrangulado; a população conheceria, de forma mais aguda, o que vem ser a sede.

Sem dados técnicos, alimentando o viés político que tudo tece na Paraíba, o MP deu seu show.

E nem teve a humildade de, meses depois, com o Boqueirão em contínuo acumulo de água a despeito do fim do racionamento, de pedir desculpas a população que aterrorizou.

Em uma solenidade recente, um dos procuradores confidenciou, pé de orelha, a um gestor do Estado:

– Não teria havido problema algum se vocês tivessem nos convidado para anunciar a suspensão do racionamento juntos!

O Estado não dividiu os holofotes. E foi assombrado pelos fantasmas dessa ópera jurídica bufa.

Essa é uma compulsão que, definitivamente, o MP parece ter dificuldade de controlar.

Ensaia, agora, mais uma vez, subir na ribalta em relação ao suposto “desvio” de águas do Rio Paraíba para abastecer o agreste pernambucano.

As alegações do MP são tão pueris que só podem partir de quem sequer conhece os termos do acordo feito entre Paraíba e Pernambuco.

Pior: demonstram que alguns de seus integrantes não têm noção rasa das regras de gestão da transposição.

Vão, pelo andar da carruagem, fazer novas pregações apocalípticas – e, quem sabe, disseminar ódio contra os sedentos do agreste pernambucano.

Que haverão de minar o Paraíba; que haverão de jogar a pá de cal no Boqueirão.

Uma das queixas do MP é que o Estado não pediu – a ele, Ministério Público – autorização para levar adiante o acordo com Pernambuco.

Demonstram, dessa forma, que a crise existencial realmente é aguda – extrapolando, inclusive, o ofício do MP.

Cegos pelas muitas luzes da ribalta, conduzem o MP a uma seara sombria. Onde correm o risco de apagar o papel histórico, e estratégico, do Ministério Público.

Em tempo:

Aos que vão ser metralhados por essa combinação de holofotomania e baixo conhecimento técnico, eis alguns dados do acordo PB-PE.

Os 0,5% de água que serão extraídos pela adutora pernambucana serão devolvidos lá em Monteiro, aumentando a vazão da transposição destinada à Paraíba: os 5,95% m3/s atuais subirão para 6,00 m3/s assim que a adutora estiver em operação, em meados de 2019.

Nesse meio tempo, o Governo de Pernambuco contratará mão de obra paraibana e fará circular, aqui, os 80 milhões de reais da obra.

Fonte: blog Adriana Bezerra

adrianabezerra.com.br

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