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Esportes

Cadência croata regida por Modric desafia jogo aéreo da Inglaterra de Kane; análise

2018-07-11 10:00:00.0

A Copa do Mundo conhecerá seu segundo finalista nesta quarta-feira. Com estilos de jogo bem diferentes (até na idade), Croácia e Inglaterra decidem quem será o adversário da França na decisão do mundial da Rússia. O desfile de craques acontece às 15h (de Brasília), no Estádio Lujniki, em Moscou.

Um triunfo leva os ingleses de volta à decisão de um Mundial pela primeira vez desde 1966 - quando o time venceu em casa. Fora do clube dos campeões do mundo, a Croácia tenta superar a geração de Suker, de 1998, e chegar à primeira final de sua história.

Confira a análise do GloboEsporte.com para o confronto decisivo desta quarta-feira. Quem avançar encara a França na grande decisão, no próximo domingo. O perdedor medirá forças com a Bélgica na decisão pelo terceiro lugar, no próximo sábado, em São Petersburgo.

A partida terá transmissão da TV Globo, do SporTV e do GloboEsporte.com. O site faz acompanhamento em Tempo Real.

Croácia: sob a batuta de Luka Modric, uma seleção pragmática

Com uma média de idade de 27,5 anos, a Croácia tem um time experiente e recheado com nomes consagrados na Europa. Aliás, isso reflete diretamente no modelo de jogo da seleção capitaneada por Luka Modric, do Real Madrid. Sem velocistas e com jogadores mais cerebrais, a seleção aposta num futebol cadenciado e talentoso para avançar à final da Copa do Mundo.

A Croácia troca em média 547 passes por jogo, com 83% de aproveitamento. Com este estilo, a seleção é a que mais chutou a gol entre os ainda vivos na Rússia. Foram 78 tiros, sendo 19 no gol. Destas finalizações corretas, a Croácia marcou 10 vezes, dado que exibe eficiência ofensiva: marca de um gol a cada duas finalizações.

O perfil ofensivo da Croácia é um reflexo óbvio do esquema tático elaborado por Zlatko Dalic, que assumiu a seleção na última rodada da fase de grupos das eliminatórias da Europa. O agudo 4-3-3 implantado tem até um efeito colateral: a "prisão" de Ivan Rakitic na faixa central do campo. Tudo para liberar o estrelado sistema ofensivo com Modric (centralizado); Rebic e Perisic (abertos pelas pontas); e Mandzukic (referência). Assim, a Croácia marcou 70% dos seus gols com bola rolando e tem o quarto melhor ataque do Mundial até aqui.

Croácia atua num ofensivo 4-3-3 (Foto: Info Esporte)Croácia atua num ofensivo 4-3-3 (Foto: Info Esporte)

Embora ostente bons números ofensivos, a Croácia tem, paradoxalmente, um centroavante apagado nesta Copa do Mundo. Enquanto os gols estão bem distribuídos pelo elenco (Modric é o artilheiro do time com dois gols), Mario Mandzukic marcou apenas uma vez neste Mundial. O atacante da Juventus até tem se mostrado voluntarioso, mas tem falhado nas finalizações justamente num time que tem boa criação.

Do outro lado do campo, o setor defensivo tem oscilado. Na fase de grupos, foi fortaleza e levou apenas um gol em três jogos - e com o time reserva escalado na última rodada contra a Islândia. O time principal passou ileso até mesmo quando enfrentou a Argentina de Lionel Messi. Porém, caiu drasticamente de produção no mata-mata. Sofreu três gols em dois jogos - um contra a Dinarmarca e outros dois contra a Rússia.

O setor defensivo ainda tem um problema de lesão para a partida contra a Inglaterra. Um dos principais nomes, o lateral-direito Vrsaljko sentiu um problema no joelho esquerdo e está fora do jogo. Forte também no apoio, o jogador era um dos destaques da seleção no Mundial. Para o lugar, o técnico Dalic vai improvisar o zagueiro Vida. Corluka preenche a lacuna na zaga.

 

O que não oscila no setor defensivo da Croácia é o estilo mais duro. A seleção croata é a que mais recebeu cartões amarelos na competição: 12. Foram 78 infrações cometidas, o terceiro time mais faltoso deste Mundial.

 

A queda de rendimento do setor defensivo abriu até espaço para um herói um tanto improvável. Com as classificações em cima da Dinamarca e Rússia viabilizadas após decisões por pênaltis, o goleiro Danijel Subasic cresceu e foi fundamental nas duas oportunidades. Foram quatro cobranças (em 10) defendidas - recorde ao lado do argentino Goycochea, em 1990. Depois de duas prorrogações, a Croácia deseja resolver no tempo normal para evitar mais desgaste físico para uma eventual final. Mas, caso seja necessário, a torcida sabe que pode contar com um cara que tem aproveitamento de 40% nos tiros da marca fatal.

 

Inglaterra: bola parada, zagueiros artilheiros e Harry Kane

 

A missão incumbida aos comandados de Gareth Southgate é bater a Croácia. Para isso, um nome ganha força nesta decisão: o artilheiro Harry Kane. Com seis gols na competição, ele é a principal esperança de bolas na rede para a Inglaterra. O atacante do Tottenham já fez gol de pênalti (3), de cabeça, de rebote e até sem querer. Nesta Copa, ele quebrou recordes como o de igualar a marca de gols de Lineker em um mesmo Mundial, o de 1986. Se Kane está em lua de mel com as redes, o companheiro de ataque Raheem Sterling vive um incômodo jejum na seleção inglesa: está sem marcar há 24 partidas.

O artilheiro da Copa deve também seu poderio ofensivo a uma arma letal da Inglaterra: a bola parada. Cinco dos seis gols de Kane na competição vieram assim. Melhor: oito das 11 bolas (72%) na rede da Inglaterra na Copa do Mundo nasceram de bola parada.

Com números positivos no ataque, os defensores também têm papel fundamental para evitar o gol adversário. De acordo com estatísticas da Fifa, a Inglaterra já recuperou 202 bolas, entre roubadas, desarmes e bloqueios. A intervenção defensiva ajudou a equipe a sobreviver na competição. E o nome de Jordan Pickford é referência. Ele já operou alguns milagres e foi o herói da classificação das oitavas diante da Colômbia, quando defendeu o pênalti de Bacca.

Há dois anos, o atual dono da meta inglesa era avaliado em apenas um milhão de euros, segundo o Transfermarkt - site especializado em transferências de jogadores. O valor agora multiplicou em trinta vezes: cerca de R$ 134 milhões.

Pickford faz grande defesa no duelo das oitavas entre Inglaterra e Colômbia (Foto:  REUTERS/Maxim Shemetov)Pickford faz grande defesa no duelo das oitavas entre Inglaterra e Colômbia (Foto: REUTERS/Maxim Shemetov)

 

Dos 23 dos jogadores do atual plantel, 14 estrearam depois do Mundial passado. A mudança na relação de atletas deu novo gás à equipe, que retomou o caminho do protagonismo e chegou às semis.

 

No esquema montado por Southgate, a defesa é protegida por três zagueiros (Walker, Stones e Maguire) e apoiada pelo "amuleto"Henderson. Trippier e Young atuam como alas pelo lado e ajudam Dele Alli e Lingard na armação das jogadas. Kane é a referência lá na frente e tem a companhia de Sterling, atacante do Manchester City.

Prováveis titulares da Inglaterra diante da Croácia, pela semifinal da Copa (Foto: GloboEsporte.com)Prováveis titulares da Inglaterra diante da Croácia, pela semifinal da Copa (Foto: GloboEsporte.com)

No time com precisão de 87% nos passes, a bola é rodada com paciência até encontrar a brecha para finalizar: são 70 conclusões até aqui. E para continuar articulando as jogadas trabalhadas durante toda a Copa, a Inglaterra vai ter força máxima. O meia Henderson, o atacante Jamie Vardy e o goleiro Pickford, que chegaram a ser dúvidas, treinaram normalmente e não devem ser desfalques para o duelo.

Globo Esporte

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