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Política

No debate para presidente Alckmin vira alvo e nanico Daciolo rouba a cena nas redes; confira

2018-08-10 08:43:00.0

Morno e sem grandes momentos de polarização direta, o primeiro debate presidencial na TV das eleições 2018, na Band, evidenciou o tucano Geraldo Alckmin, dono do maior tempo na propaganda eleitoral gratuita na TV, como o alvo preferencial dos adversários. Além de lançar o candidato nanico Cabo Daciolo, do Patriota, ao estrelato nas redes e nos memes por causa de sua participação histriônica, o programa também deixou claro os problemas da candidatura do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, preso e virtualmente impedido de concorrer pela Lei da Ficha Limpa. Em pouco mais de três horas de exposição dos postulantes da TV aberta, o petista, que aparece como o líder das pesquisas de intenção de voto, foi citado apenas uma vez, e no começo - ainda que a memória da era de ouro do lulismo, antes de o país amargar a recessão, tenha sido evocada algumas vezes.

A noite mostrou que Geraldo Alckmin, mesmo à espera da propaganda na TV para tentar decolar nas pesquisas, provoca nos oponentes a percepção de que sua candidatura tem potencial de crescimento e deve ser atacada em nome de um lugar no disputado segundo turno. Alckmin foi duramente questionado, de Henrique Meirelles (MDB) à Marina Silva (REDE) passando por Ciro Gomes - o pedetista, ávido por exposição porque terá pouco a fazer no horário eleitoral, acabou relativamente isolado no debate.

Não houve uma polarização ideológica clássica direita x esquerda. Em certo um momento, Boulos disparou: “Aqui tem 50 tons de Temer. Até quem está propondo o novo, estava ano passado aprovando tudo do Temer”, provocou o líder do MTST (Movimento dos Trabalhadores Sem-Teto) para tentar colar os adversários a imagem do Governo Temer, o mais impopular da história. Até Meirelles, ex-ministro da Fazenda do atual Governo e candidato governista, tentou se afastar do Planalto e se aproximar de seu passado lulista — algo que Marina Silva e Ciro Gomes, ex-ministros de Lula, também fizeram em determinados momentos ao exaltar alguns feitos pessoais. Pouco articulado, Meirelles acusou o PSDB de Alckmin de chamar o programa Bolsa Família de "Bolsa Esmola”. Restou ao tucano elogiar o programa e citar que ele teve origem no Governo FHC - uma tentativa de puxar a memória do eleitor para algo que já faz duas décadas.

Alckmin, por sua vez, ao invés de escolher Jair Bolsonaro, que lidera as pesquisas em cenários eleitorais sem Lula, acabou mirando a menos beligerante Marina Silva para direcionar suas perguntas. A profusão de candidatos — oito — e a predileção dos adversários pelo tucano acabaram também por retirar protagonismo de Bolsonaro. O candidato de extrema-direita do PSL teve menos espaço para abusar de frases feito na área de segurança e em desprezo ao direitos humanos, como nas recentes sabatinas televisivas. "Bolsonaro atuou sem criar conflito com nenhum candidato. Uma boa estratégia”, avaliou Eduardo José Grin, cientista político e professor do Departamento de Gestão Pública da Escola de Administração da Fundação Getúlio Vargas, que comentou em tempo real para o EL PAÍS a performance dos candidatos.

O capitão reformado do Exército foi o tema mais buscado na Internet segundo o Google, que fez uma parceria com a Band para analisar o interesse pelo debate no mundo virtual. No entanto, à medida que o programa se desenrolou, Bolsonaro dividiu os holofotes especialmente com Cabo Daciolo. Os momentos mais esdrúxulos ficaram por conta da estreia de Daciolo em rede nacional, que em alguns momentos fez dobradinha, ao menos temática, com Bolsonaro. Daciolo, deputado federal e ex-bombeiro militar, imprimiu o vozeirão para responder, muitas vezes de maneira desconexa, às perguntas feitas. "Os maiores criminosos do país são engravatados”, disse. Virou o segundo tópico mais comentado no Twitter, depois do próprio debate, que, no auge, marcou quase 7 pontos no Ibope, contra 25 pontos da TV Globo. Cada ponto equivale a 71,8 mil pessoas ou 201 mil pessoas.

Com exceção de Boulos, todos os candidatos exploraram as citações a Deus flertando com o eleitorado cristão. Violência, desemprego e crise do Estado foram os temas mais recorrentes - aborto e desigualdade de gênero também foram mencionados. Só dois candidatos, Marina e o próprio psolista, acabaram tendo que responder uma pergunta de uma jornalista sobre a questão da interrupção da gravidez. "Esse é um tema complexo, que envolvem questões filosóficas, morais e religiosas. Aborto não pode ser advogado como método contraceptivo, defendemos o planejamento familiar para que as mulheres não precisem recorrer a isso”, disse Marina Silva, que, evangélica, não deu posição direta e disse que o tema deve ser decidido em referendo. Boulos, cauteloso na resposta, falou como a desigualdade social afeta o tema: as mulheres pobres são as que mais sofrem porque a interrupção da gravidez não é legalizada.

Enquanto o debate se desenrolava, o PT fez um programa paralelo, transmitido pelo Facebook, estrelado por alguns vídeos de Lula e com o vice e plano B, Fernando Haddad, e a vice stand-by, Manuela D’Ávila. O vídeo de 2h30 teve 700.000 visualizações.

Assim contamos em tempo real o debate da Band. Veja também as reações após o programa.

Confira 5 destaques do primeiro debate presidencial das eleições 2018, na Band

O primeiro debate entre os candidatos a presidente da República nas eleições 2018ocorreu nesta quinta-feira, 9.  O encontro, promovido pela Band, reuniu oito presidenciàveis: Alvaro Dias (Podemos), Cabo Daciolo (Patriotas), Ciro Gomes (PDT),Henrique Meirelles (MDB), Jair Bolsonaro (PSL), Geraldo Alckmin (PSDB), Guilherme Boulos (PSOL), Marina Silva (Rede).

A expectativa de que Bolsonaro seria um dos principais alvos não se confirmou. O tucano Alckmin, dono da maior coligação na corrida ao Planalto, foi quem mais sofreu ataques.

Confira abaixo os principais personagens e momentos do primeiro debate presidencial das eleições 2018:

Bolsonaro X Boulos

Boulos e Bolsonaro debate presidencial band eleições 2018
Guilherme Boulos provocou Bolsonaro, mas o candidato do PSL não prolongou a discussão Foto: REUTERS/Paulo Whitaker

O deputado Jair Bolsonaro, famoso por ser enérgico em suas discussões, preferiu evitar um confronto contra Guilherme Boulos no início do debate presidencial da Band. Classificado como racista, machista e homofóbico pelo candidato do PSOL, que ainda o acusou de manter uma funcionária fantasma em seu gabinete no Congresso, o capitão reformado do Exército abriu mão de seu tempo na tréplica e não prolongou a discussão. "Não vim aqui para bater boca com cidadão desqualificado", disse Bolsonaro.

Cabo Daciolo

O deputado federal Cabo Daciolo foi um dos principais destaques no primeiro debate presidencial. Logo em sua primeira fala, o parlamentar disparou contra os demais participantes, afirmando que eles representavam a "velha política".

Cabo Daciolo debate presidencial band eleições 2018
Cabo Daciolo foi dos nomes mais buscados pelos internautas entre os candidatos que participaram do debate presidencial da Band Foto: Reuters/ Paul Whitaker

Com um discurso eloquente, que misturou uma narrativa nacionalista, religiosa e de denúncias contra supostas conspirações comunistas, o candidato defendeu a auditoria da dívida pública, a redução dos impostos, a greve dos caminhoneiros, os militares e o combate à corrupção "pela honra e glória do senhor Jesus".

"Eu sou o Cabo Daciolo, servo do deus vivo, sou cristão, bombeiro militar e dizer ao meu companheiro Bolsonaro: você não é o único não, irmão. Eu estou aqui. Nação brasileira, nós estamos aqui e vamos transformar a nação brasileira para honra e glória do senhor Jesus", disse o candidato no terceiro bloco.

Eleito deputado pelo PSOL, Daciolo foi expulso do partido em 2015 depois de propôr projetos com viés religioso. O parlamentar ficou conhecido em 2011, quando participou da greve dos bombeiros do Rio de Janeiro e chegou a ser preso por conta da mobilização. Sua candidatura à Presidência pela Patriota foi oficializada na pequena cidade de Barrinha (SP), localizada na região metropolitana de Ribeirão Preto.

Ao final do debate, de acordo com números do Google Trends, Daciolo foi o segundo candidato que mais gerou interesse de busca dos internautas entre todos os participantes do debate, atrás apenas de Jair Bolsonaro.

Centrão

Marina Silva e Alckmin debate presidencial band eleições 2018
Marina Silva atacou Alckmin durante o debate presidencial da Band por conta de aliança do tucano com o centrão Foto: NILTON FUKUDA / ESTADAO

A coligação que garantiu o maior tempo de TV durante o horário eleitoral para Geraldo Alckmin foi o ponto mais explorado por seus adversários durante o debate presidencial da Band.

As críticas partiram principalmente de Marina Silva. Em um diálogo sobre educação, a candidata da Rede afirmou que é preciso tomar cuidado quando o "condomínio já está cheio de lobo mau querendo comer o dinheiro da vovozinha".  Em outra oportunidade, ela afirmou que "quando se ganha [a eleição] com quem não tem compromisso com a ética, isso contamina o governo e todas as promessas caem no vazio".

Via de regra, Alckmin justificou a importância de sua coligação pela garantia de governabilidade em caso de vitória nas eleições. Em uma das provocações de Marina, o ex-governador lembrou que a candidata já foi do PV, criou a Rede e, atualmente, fez promoveu uma coligação entre o novo e o velho partido. Em outro momento, Alckmin subiu o tom contra de Marina e recordou do seu passado no PT. "Quero lembrar que eu nunca fui do PT e nem ministro do PT. Deixar bem claro que somos de uma outra linhagem", disparou o tucano.

50 tons de Temer

Boulos e Meirelles debate presidencial band eleições 2018
'Aqui tem 50 tons de Temer', disse Boulos em pergunta para Meirelles durante o debate presidencial da Band Foto: NILTON FUKUDA / ESTADAO

Guilherme Boulos provocou risos de praticamente toda a plateia que acompanhava pessoalmente o debate presidencial na Band quando, ao formular uma pergunta para o candidato Henrique Meirelles,  afirmou que o debate tinha "50 tons de Temer".

"Você não é apenas o candidato do Temer. Aqui nesse debate tem 50 tons de Temer. Aliás, quem diz que quer coisa nova, tem que pensar no que fez no verão passado", disse Boulos.

A frase provocou sorrisos inclusive de Meirelles.

​Lula de fora

debate presidencial band eleições 2018
Preso, o ex-presidente Lula não participou do debate presidencial na Band Foto: NILTON FUKUDA / ESTADAO

A Justiça não autorizou a presença de Luiz Inácio Lula da Silva, oficializado candidato a presidente pelo PT mesmo condenado e preso pela Lava Jato, no debate presidencial da Band. E o ex-presidente ficou de fora até mesmo dos diálogos entre os candidatos.

Com exceção de uma citação feita por Guilherme Boulos no início do encontro, Lula não foi um tema discutido pelos presidenciáveis presentes no estúdio.

El País e Estadão

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