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Mundo

Justiça da Venezuela abre investigação para apurar responsabilidade de Guaidó em apagão

2019-03-12 17:19:00.0
Foto: AP Foto/Eduardo Verdugo

O procurador-geral da Venezuela, Tareq Saab, informou nesta terça-feira (12) que abriu uma investigação contra o presidente da Assembleia Nacional, Juan Guaidó, para apurar sua responsabilidade no apagão que afeta o país desde quinta-feira (7) da semana passada.

"O Ministério Público iniciou uma nova investigação contra o cidadão Juan Gerardo Guaidó Márquez por seu suposto envolvimento na sabotagem realizada contra o Sistema Elétrico Nacional (SEN)", disse Saab no Tribunal Supremo de Justiça da Venezuela, em Caracas.

O ministro de Comunicação e Informação do governo, Jorge Rodriguez, afirmou na tarde desta terça que o serviço de energia elétrica tinha sido restaurado em quase todo o país. Além disso, falou que durante a madrugada os sistemas de distribuição de água, que foram afetados pela falta de energia, começaram a ser ativados e que ao longo do dia o fornecimento seria restaurado, de acordo com o jornal local El Universal.

Causas do apagão

Ainda não está claro o motivo real da falta de energia. As agências do setor elétrico da Venezuela, do governo Maduro, falam em "sabotagem criminosa e brutal contra o sistema de geração elétrica" na usina de Guri, no estado de Bolívar, a mais importante do país e uma das principais da América Latina.

Em pronunciamento feito no sábado, Maduro disse que um ataque cibernético impediu a restituição da energia. "Às 19h da quinta-feira se encaminhava o processo de recuperação, quando recebemos um ataque cibernético internacional contra o cérebro de nossa empresa de eletricidade que automaticamente derrubou todo o processo de reconexão", disse.

Especialistas acusam o governo de Maduro de não ter investido na manutenção da infraestrutura por conta da crise econômica. O autoproclamado presidente interino e líder da oposição Juan Guaidó disse que o apagão é decorrente de corrupção e falta de manutenção.

No Twitter, Guaidó questionou a versão do governo de que o blecaute é fruto de sabotagem externa. "A única sabotagem é a do usurpador a todo o povo da Venezuela", publicou.

Guaidó pediu nesta segunda (11) à Assembleia Nacional, de maioria oposicionista, que decretasse "estado de emergência" nacional. O texto do pedido prevê que as forças armadas colaborem no restabelecimento da energia elétrica e que a população tenha seu direito de protestar garantido.

O autoproclamado presidente interino convocou um protesto contra Maduro para esta terça, no quinto dia do apagão que deixou quase todo o país no escuro e afeta a população pela falta de água e comida.

O oposicionista convocou as manifestações para a tarde, para coincidirem com o horário em que começou na quinta-feira, pouco antes das 17h, o maior corte de energia elétrica na história do país de 30 milhões de habitantes.

"Todos às ruas para gritar com brio que morra a opressão", escreveu no Twitter o jovem presidente do Parlamento, reconhecido como presidente interino da Venezuela por mais de 50 países, liderados pelos Estados Unidos.

Efeitos do apagão

A emergência, que afeta Caracas e 22 dos 23 estados do país, mantém diversos serviços em funcionamento intermitente, mas algumas áreas do interior estão sem luz desde quinta-feira.

O apagão provocou o colapso do fornecimento de água, que já era deficitário, porque as bombas das cisternas precisam de energia elétrica para funcionar. Muitos venezuelanos tentam obter água em supermercados ou fontes naturais.

G1

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