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João Costa

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João Costa é radialista, jornalista e diretor de teatro, além de estudioso de assuntos ligados à Geopolítica. Atualmente, é repórter de Política do Paraíba.com.br



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Tragédia da Nação é êxito da parvoíce comprovada

2017-07-16 15:38:00.0


No teatro aprendemos que Tragédia é uma forma de drama que se caracteriza pela sua seriedade, dignidade e frequentemente os deuses, o destino ou a sociedade. No sentido popular, tragédia, desgraça e drama são sinônimos. E numa Nação em que a parvoíce comprovada, a tragédia é colossal.

De modo simples, no teatro aprendemos a dividir a tragédia em quatro atos.

Primeiro ato, a seriedade; segundo a dignidade dos homens; terceiro, a interferência dos deuses, se é que eles existam; quarto ato, a sociedade como ela é, a vida como ela é, não como desejamos, ou gostaríamos, e quinto e último ato, o destino de todos os personagens.

O momento da nossa tragédia pode estar no primeiro ato – da seriedade dos acontecimentos, cuidando do segundo ato, que trata da dignidade dos homens, da justiça do trabalho, da construção e destruição das reputações dos homens; a responsabilidade dos deuses, porque o povo acredita em que tudo acontece por permissão divina; numa sociedade que assiste 60 mil assassinatos por ano e não se incomoda, que encara a violência contra a mulher como permitida, ou tolerada, se moderada for, e do destino da Nação, que não sabemos qual será.

Acreditávamos que o Brasil era o país do futuro, o futuro chegou e é este que está aí, que o país daria certo como se já tivesse dado certo no passado.

Duas cenas de um mesmo ato: numa única e escassa noite, o Congresso cassou conquistas sociais conquistadas pelo povo há mais de 70 anos, noite esta seguida de uma sentença judicial não embasada em provas. Algo como a volta simultânea das relações escravocratas no trabalho e o reaparecimento do Tribunal do Santo Ofício – com um Torquemada amparado em forças externas, colaboradores internos e aplauso dos parvos.

O processo contra o ex-presidente Lula, por exemplo, dentro da nossa tragédia, a caso explícito de “mera formalidade” – a condenação veio antes, muito antes do julgamento, e era a sua finalidade; e em muitas ocasiões, por declarações e atos.

O juiz aproveitou o momento da destruição de direitos trabalhistas conquistados para promulgar sua sentença, de todos já conhecida, e ele ficou nu. Pois condenou sem provas, a tal “Teoria do domínio do fato” , ou “teoria expancionista”, demonstrada pelo procurador naquele espetáculo do powerpoint – momento espetacular da hipocrisia nativa.

Acredito da na defesa do ex-presidente Lula, que sustenta essa condenação sem prova “ por parte de um juiz que perdeu sua parcialidade há muito tempo, o que resulta num processo ilegítimo”.

Lembrando que temos, paralelamente, um presidente que tomou o poder através de uma conspiração e um golpe, que se sustenta num Parlamento nas mesmas condições que ele: acusado de corrupção e obstrução da Justiça.

Lembrando que temos um Judiciário que de há muito não tem a confiança daqueles que acreditam na justiça.

A tragédia nossa ainda está no primeiro ato.

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