Tem um diálogo sobre o amor na peça Vestido de Noiva, do impagável Nelson Rodrigues entre as personagens Alaíde e a Mulher de Véu, que disputam o mesmo homem, em que uma delas dispara: Quem tem pudor quando ama? Parafraseando o inesquecível Anjo Pornográfico, e trazendo a sua máxima sobre o amor para a política, é de se perguntar, pragmatismo dói nos políticos, ou quem tem pudor quando se está a um passo do poder? Por último, os fins justificam os meios?
Tanto lá em São Paulo quanto cá na Aldeia de Nossa Senhora das Neves, o pragmatismo não causa dor nos políticos. Nem resfriado. Para se eleger governador, Ricardo Vieira foi de alianças de José Maranhão a Cássio Cunha Lima, políticos tradicionais, mas sem pecha de corrupção. Mas para quem pregava o socialismo e a renovação, bastou desbotar.
Agora esta aliança entre o PPS e PT, considerados do mesmo campo político, mas com gladiadores em cena. O candidato do PT, Luciano Cartaxo até bem pouco atrás ocupava a tribuna da Assembleia em duras críticas ao outro Luciano, o prefeito, e ao governador.
As críticas de Anísio Maia, coordenador de campanha de Cartaxo, não eram só duras, eram azedas, debochadas até. Agora estão juntos, graças à disputa meio passional e estranha no tal Coletivo girassolaico. Mas perder o discurso faz parte da esquerda brasileira, se é que ela ainda existe, e Cartaxo perdeu o seu.
Para uma oposição que assiste de braços cruzados às denúncias no governo de Ricardo na gestão de Agra, nada surpreende. Nem tem como cobrar pudor e pragmatismo não dói - vale tudo.