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19 de June de 2013


João Costa

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João Costa é radialista, jornalista e diretor de teatro, além de estudioso de assuntos ligados à Geopolítica. Atualmente, é repórter de Política do Paraíba.com.br



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Pragmatismo não dói nos políticos

27/06/2012 | 19h05min



Tem um diálogo sobre o amor na peça Vestido de Noiva, do impagável Nelson Rodrigues entre as personagens Alaíde e a Mulher de Véu, que disputam o mesmo homem, em que uma delas dispara: Quem tem pudor quando ama? Parafraseando o inesquecível Anjo Pornográfico, e trazendo a sua máxima sobre o amor para a política, é de se perguntar, pragmatismo dói nos políticos, ou quem tem pudor quando se está a um passo do poder? Por último, os fins justificam os meios?

Estamos em ano eleitoral e em meio às convenções, período de formação de alianças e conchavos. O mundo dos pudicos ficou escandalizado com a foto do ex-presidente Lula ao lado de Maluf numa aliança para a disputa pela prefeitura de São Paulo. Relembro do PT censurando a paraibana Luiza Erundina por assumir um cargo no governo Itamar Franco - um excelente presidente já falecido – e agora, dez anos depois e desfrutando do poder, o PT releva a aproximação com Maluf, um político procurado pela Interpol com lugar de destaque no hall off fame da corrupção, organizado pelo Banco Mundial.

Tanto lá em São Paulo quanto cá na Aldeia de Nossa Senhora das Neves, o pragmatismo não causa dor nos políticos. Nem resfriado. Para se eleger governador, Ricardo Vieira foi de alianças de José Maranhão a Cássio Cunha Lima, políticos tradicionais, mas sem pecha de corrupção. Mas para quem pregava o socialismo e a renovação, bastou desbotar.

Agora esta aliança entre o PPS e PT, considerados do mesmo campo político, mas com gladiadores em cena. O candidato do PT, Luciano Cartaxo até bem pouco atrás ocupava a tribuna da Assembleia em duras críticas ao outro Luciano, o prefeito, e ao governador.

As críticas de Anísio Maia, coordenador de campanha de Cartaxo, não eram só duras, eram azedas, debochadas até. Agora estão juntos, graças à disputa meio passional e estranha no tal Coletivo girassolaico. Mas perder o discurso faz parte da esquerda brasileira, se é que ela ainda existe, e Cartaxo perdeu o seu.


Para uma oposição que assiste de braços cruzados às denúncias no governo de Ricardo na gestão de Agra, nada surpreende. Nem tem como cobrar pudor e pragmatismo não dói - vale tudo. 

Assim caminha a humanidade!
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