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João Costa

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João Costa é radialista, jornalista e diretor de teatro, além de estudioso de assuntos ligados à Geopolítica. Atualmente, é repórter de Política do Paraíba.com.br



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Lulismo - Sebastianismo redivivo e a vaca louca

2017-03-20 08:48:00.0


Como um Dom Sebastião redivivo Lula foi aclamado em Monteiro. Como um Getúlio Vargas, fez caminhada e discurso de soerguimento. Mas nada fará sentido nem razão, se Lula capitular ou morrer diante daqueles que estão tentando e conseguindo destruir conquistas sociais, a soberania nacional; ou se sua arte para a negociação desaguar num grande entendimento nacional e de colaboração de classe.

O Brasil tem dessas realidades paralelas, às vezes fictícias disseminadas pela mídia nativa. O que assistimos ontem, em Monteiro, faz parte da realidade paralela, mas não imaginária que a mídia ignorou ou minimizou.

Emblemática reação política de Lula às margens de um rio no interior do Brasil, repondo a verdade sobre a transposição das águas do Rio São Francisco – o criador e sua obra que jazia adormecida desde os tempos do Brasil Império.

Enquanto as redes sociais estavam voltadas para os acontecimentos em Monteiro e no rio Paraíba, os canais de notícia da TV paga por assinatura mesclavam meias-verdades com mentiras no esforço hercúleo para pintar um quadro diferente. O noticiário cuidava da tal Operação Carne Fraca. Horas de entrevistas, declarações. Versões de fatos pouco esclarecidos, na mesma proporção viés da Operação Lava Jato.

Me fez lembrar da recente lenda urbana que apresentava o filho do mesmo Lula como dono da Friboi, gigante do setor de carnes, agora alvo de meticulosa destruição. Se a Lava Jato e o governo que resultou dessa operação policial destruíram o que restava de soberania do país nos setores de gás e petróleo, além da matriz soberana da Defesa, agora tudo indica que o “inimigo é outro”.

Enquanto os serviços de segurança de outros países entendem que a missão deles é proteger as empresas nacionais e defender os interesses do país, o nosso sistema de repressão vê tudo pelas lentes do inimigo. Após destruírem a Odebrechet e a Petrobras, chegou à vez de destruir o agronegócio do país. É certo que não há santo nesse mar de lama, mas a vaca não é tão louca assim para não sacar a patranha em curso.

Até onde dá pra entender, a polícia encontrou problemas sanitários e corrupção em 21 unidades do setor produtivo de carnes, num total de quase cinco mil empresas, e suspeita de crimes de corrupção praticados por 33 servidores, num universo de 11 mil funcionários do Ministério da Agricultura. Algo está cheirando mal – e o mau cheiro não exala de carnes podres ou fracas da vaca que enlouqueceu.

Se essa investigação vem rolando há dois anos, significa que o Ministério Público Federal e a Polícia fecharam os olhos para o consumo em de carne estragada em larga escala, no Brasil e no exterior. Ou não nada do que agora afirmam corresponde a verdade?

Essas empresas se tornaram gigantes com financiamento público do BNDES nos governos Lula e Dilma. Não me surpreenderei se daqui a pouco as ilações ou acusações baseadas em convicções de procuradores tomem conta do noticiário e a mídia nativa trate tudo como verdade absoluta. Na Pós-Verdade dominante, Dom Sebastião voltou para comer churrasco. 

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